As calorias de sobra que foram consumidas durante anos não dão trégua: a
gordura localizada no abdômen denuncia que faltou cuidado com a dieta
e que os exercícios foram deixados de lado ou praticados com menos
intensidade do que seu corpo merecia. "Na maioria das vezes, este
acúmulo de gordura vem da ingestão de carboidratos simples, presentes em
pães, massas, doces, refrigerantes, e bebidas alcoólicas", afirma a
nutróloga Tamara Mazaracki, membro da Associação Brasileira de
Nutrologia (ABRAN).
Além do incômodo estético, a barriga costuma
ser um fator de risco para a saúde cardiovascular - reduzir medidas
abdominais, portanto, não significa apenas caber num manequim menor.
Colesterol, hipertensão e outros problemas de saúde também são
benefícios que você passa a usufruir. Se esta meta está na sua lista,
alguns alimentos podem ajudar: eles aceleram a queima de gordura e
combatem o ganho de peso. Fique de olho nas opções que engordam seu
prato, mas deixam sua cintura na medida.
A inflamação é um dos principais responsáveis
pelo ganho de peso. Peixes e frutos do mar, por serem ricos em ômega-3,
um ácido graxo essencial, ajudam a desinflamar as células de gordura,
atuando no controle do problema. Além disso, esses alimentos também
aceleram a transformação da glicose em energia, impedindo que ela seja
estocada sob a forma de gordura. A nutróloga Tamara orienta a inclusão
desses alimentos no cardápio pelo menos três vezes por semana.
Não é a toa que os óleos funcionais são tão
conhecidos quando o assunto é emagrecimento. "Os óleos funcionais atuam
no metabolismo das gorduras, aumentando a quebra da dos ácidos graxos
para produção de energia e, consequentemente, diminuindo as reservas de
gordura", afirma a nutricionista Raquel Maranhão, da clínica BeSlim, no
Rio de Janeiro. Entre os mais famosos, estão o óleo de cártamo e o óleo de coco,
que agem também na aceleração do metabolismo. Mas também vale destacar o
óleo das sementes de gergelim, que previne o armazenamento de gordura
corporal através da inibição de fosfodiesterase, uma enzima responsável
pelo acúmulo de gorduras no organismo.
A nutróloga Tamara explica que existem várias hipóteses para explicar como os alimentos probióticos
auxiliam o emagrecimento. "Alguns lactobacilos produzem um tipo de
gordura, o CLA (ácido linoléico conjugado), que é capaz de reduzir o
porcentual de gordura", explica a especialista. Além disso, esse tipo
de alimento tem como função básica equilibrar a flora intestinal. Um
estudo publicado em 2006 pela revista científica Nature mostrou que as
bactérias presentes na flora intestinal de pessoas com obesidade é muito
diferente da de pessoas com peso adequado. A descoberta sugere que a
absorção inadequada de gorduras no intestino, que ocorre nas pessoas com
flora comprometida, pode estar relacionada ao ganho de peso.
A bioquímica e os estudos científicos explicam:
justamente pela sua alta concentração de gorduras benéficas, que
promovem a saciedade por mais tempo, o abacate pode ajudar a reduzir o
peso. Apesar da alta concentração de calorias, elas provêm da gordura
monoinsaturada, que ajuda a reduzir o pico de insulina, hormônio que
desencadeia o armazenamento das calorias extras sob a forma de gordura
localizada. Além disso, o ômega-9 presente ativa outro hormônio, a
adiponectina, que induz o corpo a produzir energia a partir dos
depósitos de gordura, ou seja, derretendo o que sobra no abdômen. A
nutricionista Renata Fidelis, do Spa Sorocaba, recomenda comer três
colheres de sopa em dias alternados. "Cem gramas (cerca de três colheres
de sopa) de abacate têm 182 calorias, então, quem quer emagrecer não
deve abusar do alimento. Comê-lo três vezes por semana é o ideal."
As frutinhas vermelho-arroxeadas (framboesa,
amora, morango, cereja, jabuticaba, mirtilo, melancia e uva roxa) são
poderosas aliadas no combate à gordura localizada. A nutricionista
Renata explica que existem, nas cascas dessas frutas, substâncias
fitoquímicas com ação antioxidante, como a antocianina, que mantém o
sistema circulatório eficiente, melhorando a irrigação dos tecidos e
ajudando na queima de gordura abdominal. A especialista recomenda o
consumo de uma ou duas xícaras por dia, sem adição de açúcar.
Além de atuarem no sistema nervoso central
acelerando o metabolismo e aumentando a temperatura corporal, as
xantinas (cafeína, teofilina e teobromina) presentes no café, chá verde e
preto, mate e chocolate aumentam a mobilização de gorduras estocadas.
Os polifenóis, também presentes no chá verde, eliminam radicais livres, o
que diminui a oxidação de gorduras. A nutricionista Renata orienta
tomar uma xícara de chá de 30 a 40 minutos após almoço e jantar, com
cuidado especial para não consumi-lo antes de dormir (o que pode
atrapalhar o sono) e se você for hipertenso, porque essas substâncias
aumentam a pressão arterial.
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Salud
Carlos III, da Espanha, em parceria com a Universidade de Cambridge, da
Inglaterra, aponta que a ingestão diária de azeite evita a formação de
gorduras na região da cintura. O estudo foi publicado na revista
Diabetes Care e afirma que as gorduras monoinsaturadas presentes do
azeite previne o acúmulo de gordura na região.
Renata Fidelis enfatiza que o azeite é um excelente alimento
para prevenir doenças cardiovasculares, já que tem componentes
anti-inflamatórios que atuam nos vasos, diminuindo a agregação de placas
de gordura. Três colheres de sopa por dia do alimento cru (o cozimento
transforma a gordura saudável em vilã) são suficientes para colher os
benefícios.
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